CARTA ABERTA AOS ORGANIZADORES DA CAMPUS PARTY BRASIL

Por Mariana Bonfim
*Postado originalmente pela autora em seu perfil no Facebook no dia 29 de janeiro às 15:21 sob o título de CARTA ABERTA AOS ORGANIZADORES DA Campus Party Brasil E AO Paco Ragageles Martins CRIADOR DO EVENTO.

A minha história de vida se mistura a da Campus Party. Comecei a frequentar o evento em 2010 onde fiz muitos amigos, contatos profissionais, além de conhecer pessoalmente aqueles que apenas conversava on-line. Em 2013 criei o Confronto das Sagas que, após parceria com o Renegados Cast, se tornou o URC. Há 4 anos batemos cartão no Palco Comunidades, sempre somos elogiados pelos campuseiros como “A MELHOR ATIVIDADE DA CAMPUS PARTY”, lotando todos os palcos além da sua capacidade máxima. Em 2014, grávida de 6 meses, meu amor Luis Orozco me pediu em casamento na Campus após o URC, como pode ser visto neste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=NYJa7k_hCVg. Assim, o evento entrava de vez como um grande marco na minha história de vida. Em 2015 compareci ao evento mas somente em um dos dias que participei, no último deles, levei a minha bebê comigo. E não houve qualquer problema, exceto a ausência de um fraldário e local para esquentar a mamadeira e comida dela.

Pois bem, este ano a Futura fechou e uma nova empresa, a MCI Brasil, assumiu a organização. E com isso, tudo foi por água abaixo. Ano passado fomos eleito a melhor atividade no Palco Comunidades pelos campuseiros, cujo prêmio seria este ano estarmos no Palco Principal. Mas a MCI Brasil não quis assumir o que nos foi prometido e fomos relegados ao minúsculo Palco Entretenimento que, obviamente com a presença de webcelebridades, ficou lotado, incluindo o fechamento dos corredores de acesso de tantos campuseiros presentes.

Mas o mais grave de tudo ocorreu no dia em que nos apresentamos no Palco Comunidades, ou melhor, `as 20h na noite de quarta-feira 27 de Janeiro de 2016. Tudo está relatado nesta postagem: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10208885559920984&set=a.4214924976102.175074.1374411310&type=3&theater. E também foi comentado pelo blog Pac Mãe (http://pacmae.com.br/cpbr9-a-papinha-barrada-e-a-sistemati…/) que ironicamente participou com outros pais e mães nerds de uma mesa de debate na Campus com o tema “Maternidade e paternidade combinam com o meio nerd?”.

Se a Campus Party é lugar de famílias, nerds ou não? Pela MCI Brasil, não é. Na noite em que ocorreu o impedimento de que eu adentrasse a arena com a comida da minha filha, ouvi uma mulher da organização dizer que ali não era lugar de bebê. O stand da Café 3 Corações no evento negou ceder um pouco de água quente para a mamadeira dela porque eles “não podiam ficar dando água para todos os 8 mil participantes”, palavras da mulher do marketing da marca que estava no stand. Quando o ocorrido foi divulgado pelo Jonny Ken Itaya no Twitter, recebi muitas mensagens de que estava de MIMIMI, me questionando porque eu queria burlar as regras, além de aconselhar de que eu deveria ter deixado minha criança em casa.

Em resumo, os organizadores, patrocinadores e muitos membros da Campus Party não estão aptos a receber pais e mães com filhos, independente de serem bebês ou crianças, neste evento. O que aconteceu me ofendeu como palestrante, campuseira, mãe, mulher e ser humano. A única coisa que espero, pois considero o mínimo depois de tudo, é um PEDIDO OFICIAL DE DESCULPAS da Campus Party Brasil postado publicamente em suas redes sociais direcionado a mim e a minha filha, Malu. Ainda mais porque recebi a notícia no grupo do evento que hoje liberaram a entrada de qualquer alimento perecível, que deverá ser consumido na praça de alimentação da arena.

Reintero que não moverei processo judicial contra a MCI Brasil ou a Campus Party, ainda mais depois que a produtora Sol me disse que vocês tinham “um prédio inteiro de advogados” para te defenderem. Mas que registrei queixa na Fundação Procon-SP pois ao impedir a entrada de alimento de fora, obrigando os campuseiros a comprarem só o que é vendido lá dentro, é caracterizado pelo Código de Defesa do Consumidor como VENDA CASADA, prática proibida e passível de condenação.

Sem mais e no aguardo do pedido de desculpas.

Mariana Acaue dos Santos Bonfim (mãe)

Maria Lúcia Bonfim Corrêa (filha)