Mariana Vs Paris: uma breve reflexão.

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Só posso falar apenas por mim e por mais ninguém.

Tenho amigos tanto em Paris como em Governador Valadares e quando soube da notícia e das conseqüências do rompimento da barragem em Mariana fiquei tão chocado e apreensivo quanto quando soube da notícia dos atentados em Parias.

No meu caso, a diferença foi que em Paris mora a Tia do meu filho (irmã da mãe dele) e eu sempre prometo à ele que vou juntar dinheiro para irmos lá visitar ela.

No caso dessa tia em especial, foi graças a ela que soube da existência do meu filho assim como foi graças a ela que hoje tenho a guarda dele. Não fosse ela, hoje minha vida seria vazia e sem sentido.

Então no momento em que soube dos atentados em Paris logo fiquei apreensivo porque sei que ela e o marido sempre saem para jantar no finais de semana e demorou um pouco para ter contato com ela e quando tivemos contato ela estava apavorada dizendo que queria ir embora de Paris e que tinha muito medo de ir trabalhar na segunda-feira.

Talvez o fato desta ligação emocional tenha feito com que minha atenção se deslocasse totalmente para Paris.

Eu até poderia dizer que sou um ponto fora da curva uma exceção, mas acredito que existem mais brasileiros com ligações afetivas com Paris do que com Mariana, Valadares redondezas.

Por outro lado enquanto estudioso do Direito e da Segurança Pública, e após mais de 20 anos trabalhando como serventuário da justiça estou convencido que não existe guerra civil no Brasil, nem mesmo terrorismo ainda que algumas análises fora de contexto da estatísticas possam nos levar a crer que sim.

O que há no Brasil é uma guerra entre fações criminosas e para-militares pelo controle do crime organizado, quer seja dentro dos presídios, quer seja nas ruas e a maioria das mortes que ocorrem no Brasil estão relacionadas à esse tipo de atividade criminosa.

Pensar diferente ou é desconhecimento ou ingenuidade.

Especificamente em relação à Mariana, penso que a análise deva ser diferente. Não digo que a dor e o sofrimento de tudo e de todos os que foram e ainda serão afetados seja menor ou deva ser relativizados.

Penso apenas que em um mundo globalizado valores como vida, liberdade, privacidade e segurança se colocam e são colocados acima do meio ambiente que, por ser um bem coletivo, objeto de direitos difusos e por isso mesmo acaba sendo relativizado tanto na prevenção como na reparação à danos causados.

Acredito ainda que o simples fato de (em tese) não haver ameaça de novos rompimentos de barragens em Mariana nos leva a crer equivocadamente que o pior já passou e que os danos causados serão revertidos em breve.

Acredito que um ponto importante ainda é o contexto da Sociedade do Espetáculo onde vivemos hoje.

Nesse contexto os sons das explosões e do perigo iminente de novos taques no berço da cultura ocidental moderna parecem chamar muito mais atenção do que a silenciosa morte de um rio no interior do Brasil.