O que Advogados podem aprender com “Suits” ?

A série “Suits” – Homens de Terno

Resumidamente, para quem não conhece, se trata de uma série voltada para quem gosta de negociação e claro advocacia, se passa inteiramente em um grande escritório de advogados de Nova York, onde um advogado bem sucedido, Harvey Specter (interpretado por Gabriel Macht) que representa empresas multimilionárias e astros do esporte, resolve contratar um Associado para lhe ajudar no escritório em seus casos, e se depara com Mike Ross (Patrick J. Adams), que não concluiu a faculdade de Harvard, mas tem uma excelente memória fotográfica e é capaz de armazenar em sua memória casos passados e livros inteiros.

Juntos fazem uma excelente parceria e resolvem todos os tipos de casos, cada um a seu modo, porém, Harvey Specter é frio e calculista, enquanto Mike Ross é mais sentimental e busca sempre o melhor para os dois lados.

A aplicação de Suits na vida executiva

Há muito que se dizer do que se pode aprender com essa série, contudo, é claro que está é minha humilde opinião e provavelmente outras pessoas pensem diferente ou nem gostem da série, mas eu recomendo.

A faculdade não é o ponto chave para a contratação, mas sim a entrevista e o “raport” com o contratante

O jovem candidato a associado Mike Ross, é contratado por Harvey sem ter sequer concluído a faculdade, mas não antes de lhe demonstrar suas qualidades em um teste com leis questionadas pelo notável advogado Harvey, contudo o jovem candidato responde sem sequer pesquisar em livros ou computador, demonstrando sua incrível capacidade de memória fotográfica e enciclopédica, além de ter um alto conhecimento sobre as leis americanas.

Diante do fato do jovem ter comprovado sua capacidade o experiente advogado se vê a frente de um excelente candidato e logo descarta a fila de candidatos ao emprego decidindo contratar o iniciante associado, colocando sua carreira e credibilidade em risco ao afirmar que Mike é formado em Harvard.

Fato é que apesar de ser um filme e uma ficção, a situação se repete em muitas empresas onde o entrevistador está ali na sua frente, mas ele já sabe o que quer, e só está prestando atenção nos primeiros minutos, para que demonstre rapidamente suas habilidades e vontade de lutar pela oportunidade, demonstrando em ações, exemplos e casos que tem capacidade de resolver.

Todo contratante quer isso, alguém que resolva seus problemas ao invés de ficar questionando ou apresentando situações. Os problemas devem ser resolvidos e levados ao conhecimento da direção as soluções, ninguém gosta de um recurso que só leva problemas. Em contrapartida, quando contratamos um novo candidato, ainda que este seja formado e com as qualificações que apresenta em seu curriculum, sempre estamos colocando nossa credibilidade em risco, ainda que não estejamos cometendo nenhuma fraude, já que aquele candidato está representado sua visão do que é melhor para a FIRMA e tão logo passe uns dias ele já estará envolvido no dia a dia e logo terá que resolver problemas que você espera que nem cheguem a seu conhecimento, logo também corremos riscos quando efetuamos contratações por impulso e com base em nossa avaliação.

Ser calculista ou sentimental?

Os protagonistas criam situações onde seus perfis se confrontam, Harvey é frio e calculista enquanto Mike é mais sentimental, porém logo percebe que o mundo jurídico precisa de frieza em alguns momentos.

Muitas vezes nos sentimos mal com determinada situação, demonstrando nosso sentimentalismo e de certa forma uma certa fraqueza, mas essa série demonstra que muitas vezes o melhor pra uma solução não é ser sentimental, mas sim ser calculista, pois muitas vezes quando colocamos nossos sentimentos a frente, estamos buscando ajudar ou amenizar algo que talvez para a firma não seja o melhor, tentando ajudar quando que na verdade o risco está justamente em ser sentimental, por isso, é melhor resolver de um modo frio e calculista, pensando somente nos resultados e razões para buscar o melhor resultado possível para o cliente.

Em quase todas as situações (principalmente nas primeiras temporadas) a saída de mestre que resulta a vitória é ter o conhecimento completo da situação e as opções, e não descansar até encontrar essa opção. Mesmo com a memória fotográfica do Mike e a experiência calculista do Harvey, constantemente o assistente tem que passar a noite trabalhando para encontrar alguma saída. A chave é não desistir nunca, pois mesmo com uma arma apontada na sua cabeça, sempre existe uma saída, diz Harvey Specter.

Apresentação pessoal não é tudo mas é 100%

Na série, os ternos são realmente caríssimos e de alta qualidade além de belíssimos, não podia ser diferente também, visto que a séria se chama homens de terno.

Ainda que não usemos os ternos de milhares de dólares da série, há que se vestir bem, acho que isso todos aqui concordamos, já que somos Advogados e o terno é nossa armadura.

Para uma entrevista nem é preciso mencionar, mas o terno é imprescindível, combinando com uma gravata moderna e de cor neutra, é o ideal para uma primeira impressão e também para evitar que a atenção do entrevistador não saia do foco de sua experiência.

As mulheres não ficam de fora dos exemplos que a série pode mostrar, pois as Advogadas são sempre muito bem arrumadas com roupas bonitas e muito bem apresentáveis, impondo sua beleza e respeito também com autoridade em especial destaque para a advogada Sócia Gerente e as assistentes com presenças marcantes no seriado, sempre auxiliando os protagonistas nas mais intrigantes questões e casos envolvendo todos no escritório.

Enfim, fica a dica da série, mas também a possibilidade de alinhar o calculista e o sentimental em um bom equilíbrio, misturando com uma boa dose de conhecimento jurídico e de negociação, com um pouco de autoconfiança e um tom de persuasão e capacidade de pensamento rápido para que os problemas sejam solucionados sempre usando a ética e o bom costume.

*Publicado originalmente no JUSBRAIL no dia 14 de Fevereiro de 2016 por Adriano Lima.