UM EXPERIMENTO DEMOCRÁTICO.

“DIGA-ME OS TEUS VALORES E EU TE TRATREI DE ACORDO COM ELES”.


Por incrível que pareça falar sobre Democracia é cada vez mais difícil, não porque o tema seja complexo (coisa que de fato é) mas pelo simples fato de que vivemos um momento em que parece que todos são especialistas em tudo, onde ninguém precisa aprender ou refletir sobre coisa alguma e todos já possuem repostas definitivas por já alcançaram a verdade absoluta de todas as coisas.

Desta forma minha percepção é que, dotadas de todas as repostas, totalmente cientes destas verdades absoltas, resta aos indivíduo então oferecer a verdade absoluta e incontestável (seja ela qual for) aos demais indivíduos. E por levar quer dizer “evnagelizar”, doutrinar, impor de forma unilateral e inegociável esta verdade, ainda que ara isso chegue-se ao ponto de desrespeitar algo que deveria ser um direito universal e inalienável que seria o direito àquilo que vou chamar de autonomia privada de vontade, consciência e autodeterminação dos indivíduos.

Assim, munidos de todas as respostas possíveis e imagináveis e portando a verdade absoluta e incontestável,  o indivíduo parte então na sua jornada de proselitismo, notadamente através dos meios digitais de comunicação, que por sua oferece o escudo da distância e até mesmo do anonimato. Neste sentido é bom lembrar que tal fenômeno é própria da era da informação onde a bolha digital, isola e protege o indivíduo do contato físico e direto com dos demais, coisa que, por si, só já torna inviável essa aventura do proselitismo intelectual.

Nesse contexto o termo DEMOCRACIA pode assumir qualquer significo que o indivíduo queira lhe atribuir, independente de qualquer fundamentação teórica ou prática, até porque o indivíduo já lhe atribui um significado definitivo e imutável, em razão da onisciência que hoje é inata ao indivíduo.

Uma vez que, os valores conceitos e regras de conduta, ainda que exclusivamente subjetivos, adquirem esse caráter de universalidade, irrefutabilidade, inegociabilidade e intransigência, propus a mim mesmo o seguinte EXPERIMENTO DEMOCRÁTICO:

A partir de hoje e por um período ainda indefinido, minha conduta para com os indivíduo que tomarem a inciativa de comigo manter contato, através dos meios eletrônicos de comunicação, adotando a postura acima descrita, será pautada exclusivamente com base nos valores que tais indivíduos adotam para sí mesmos como verdadeiros e absolutos.

O primeiro pressuposto básico será o de que eu não irei tomar jamais a inciativa do contato com o indivíduo objeto do contato.

O segundo pressuposto será o de que o indivíduo objeto do experimento só poderá tomar ciência disto após encerrado o período de testes.

A partir dos pressupostos acima, os limites desse experimento residirão basicamente em aplicar tal método apenas ao indivíduo objeto do experimento, ou seja aquele que tomou a inciativa do contato comigo e dentro dos limites que o ordenamento jurídico define certas condutas como crime ou ato ilícito civil ou administrativo. Caso a conduta do indivíduo, de acordo com os parâmetros acima fixados, exija de mim uma conduta definida como crime ou ato ilícito adotarei então uma atitude de que poderá ir da total indiferença ao bloqueio do contato com tal indivíduo.

O objetivo deste experimento é avaliar até que ponto os indivíduos estão sujeitos à viver num contexto onde seja tratados exclusivamente com base nos valores que pretendem impor aos demais.