UMA AMARGA VITÓRIA.

Por Luiz Salama.

Anos 70: Junto com amigos no jornal O Berro criticando as injustiças em nosso país, tentando como secundarista encontrar caminhos para que na minha vida adulta o Brasil deixasse de ser “O País do Futuro”

Anos 80: Nos movimentos estudantis, contra o governo eleito de forma indireta, lutando por um país mais justo. Clamando por eleições diretas e pela realização do País do Futuro… Vieram as Diretas e o alinhamento ao grupo que falava num país igualitário em oportunidades e um país ético

Anos 90: Engajamento em um partido politico que pregava a Ética e o desenvolvimento, para tirar o país da pobreza, conseguimos com o clamor das ruas fazer com que um presidente corrupto fosse defenestrado.

Anos 2000: A vitória da Esperança! Finalmente, pelo voto, o pais foi entregue a quem sempre combateu a corrupção. Agora deixaríamos finalmente de ser o País do Futuro e realizaríamos o nosso potencial, chegamos a pleitear um assento no Conselho de Segurança da ONU e o clamor das liberdades desfrldava sua bandeira

Aí veio o MENSALÃO

Aí veio o aparelhamento do Estado

Aí veio a maquiagem marqueteira da real situação do País

Aí vieram as políticas assistencial-coronelistas de manutenção da pobreza com esmolas sem saída

Aí veio o achaque do aumento dos impostos para bancar essas políticas e a corrupção explosiva em todos os niveis.

Corrupção disseminada exatamente no Partido que se elegeu com o discurso da Ética.

Aí vieram as explicações que não explicam e as justificativas que não justificam. Terem roubado antes não justifica a continuidade e o aumento do roubo. A incompetência de alguns dirigentes anteriores não justifica a nomeação maciça de amigos incompetentes (e vários deles corruptos) e as alianças com o que havia de pior dentro e fora do país (de Collor, Renan e Maluf a Chaves, Kirshner, Abbas e Ahmadinejah)

2014: Uma eleição sob suspeita. Além das supostas fraudes nas próprias urnas, a campanha foi alimentada com mentiras contra adversários, maquiagem de dados oficiais e muitas promessas… seguidas de ações exatamente opostas assim que o resultado foi anunciado. Uma prática que este partido sempre criticou nos governos anteriores e um país dividido.

2015: 13-PT – Ano 13 no governo: Finalmente as provas dos desmandos chegaram ao judiciário, o país parou, desemprego galopante, inflação disparando, a classe produtora asfixiada num país sem infra-estrutura e sem estímulo à produção. 1,6milhoes de empregos a menos na indústria, 470 mil empregos a menos na construção civil, lojas fechando em todo o país.

2016: Aprovação do Impeachment da Presidente na Câmara. A presidente eleita com uma “maioria” de menos de 35% dos votos (numa eleição com cerca de 34% de votos no oponente e cerca de 32% de votos brancos e nulos sai pela força de 70% dos votos dos deputados no Congresso. A minoria derrotada invoca um suposto golpe à DEMOCRACIA, esquecendo que esta significa: “a vontade da maioria”.

Aqueles ideais dos tempos de juventude continuam intocados, porém, junto com os cabelos brancos, fui vendo, um a um, os antigos baluartes da esperança se transformando nos algozes de um futuro melhor.

A seguir teremos Temer, eleito junto com Dilma, assumindo a presidencia, após um processo que envolveu a articulação de Cunha, o nefasto e Renan, aquele mesmo… de quem nem precisamos falar mal, pois era o “homem forte” do primeiro presidente a sofrer um processo de impeachment.

Tiramos o país de um grupo nefastamente corrupto e incompetente, entregamos a outro grupo históricamente corrupto, esperando um pouco menos de incompetência. De tanto lutar para deixarmos de ser o país do futuro, viramos o país do futuro do pretérito.

Vencemos a batalha, uma vitória amarga, pois perdemos a guerra.

Como dizia Chico Buarque: Bye bye, Brazil, a ultima ficha caiu!

  • DrSalama

    Caro Marcio, obrigado por jogar minha voz no megafone do teu blog.